… Pedro, ou Tonho?
Redação Radar News
Caro colega jornalista Pedro da Lua, prefeito interino de Macapá, cuidado com suas palavras proferidas no afã de parecer moderno e descolado.
Neste verdadeiro apagão moral que se instalou no debate público, dirigimo-nos a você com franqueza — e também com carinho. A partir do momento em que foi colocado na condição de prefeito, ainda que interino, passa a existir um compromisso inescapável com a liturgia do cargo.
Certas informalidades, próprias de outros ambientes, precisam ficar para trás. Camisetas casuais, bonés virados para trás e a estética descontraída das redes sociais não combinam com a responsabilidade institucional que agora lhe cabe. A importância da função exige postura.
Também não ajuda a presença recorrente da chamada “turma do Chevette”, que costuma aparecer ao fundo como claque em suas manifestações públicas. Em momentos delicados da vida administrativa da cidade, esse tipo de ambientação pouco contribui e não possui autoridade para interferir no debate público sério que se exige.

O que poderia — e deve — ser discutido são as decisões administrativas. Questiona-se, por exemplo, o acerto ou não de algumas de suas nomeações recentes na Secretaria de Comunicação, bem como a escolha do secretário adjunto da mesma pasta. Na Secretaria de Educação, também se levanta um caso no mínimo inusitado de nepotismo familiar cruzado e de proximidade política com a Câmara Municipal, da qual V. Exa. era presidente até ser conduzido pela Justiça à condição de prefeito interino.
Insistimos: autoridade pública não é influencer digital, tampouco personal training. Governar uma capital exige muito mais do que exposição e discurso.
Também não adianta insistir na narrativa de que todos os problemas são herança da gestão anterior. Rei morto, rei posto. Agora o desafio é outro: menos justificativas e mais soluções. O cidadão não quer ouvir blá-blá-blá. Quer ver ação concreta: ruas recuperadas, remédios nos postos de saúde e a cidade funcionando.

Levantar às cinco da manhã para malhar pode até ser saudável. Mas quem assume a chefia do Executivo da capital de um estado como o Amapá passa a viver sob outra lógica: trabalho constante e responsabilidades permanentes.
Também é preciso cuidado com ilações sobre gastos de comunicação ou contratos com blogs e veículos. Quem tem telhado de vidro não costuma atirar pedras no telhado alheio.
Por fim, há algo que não pode ser relativizado. A expressão usada recentemente sobre “mídias vagabundas”, no feminino, mesmo que não tenha sido sua intenção direta, atingiu em cheio a honra e a credibilidade de mulheres jornalistas do Amapá, que se sentiram ofendidas com sua fala.
E isso, lamentavelmente, justamente no período em que se reforça a luta das mulheres por mais respeito e igualdade.
Este editorial é, portanto, também um gesto de desagravo a elas.
Pedro, com carinho: mais trabalho e menos conversa. Às vezes o silêncio vale mais do que um milhão de palavras.
Vamos ao trabalho. Afinal, esperamos que continue Pedro, não Tonho.