Por: Dantas Filho
Apresentado como pré-candidato ao Governo do Estado, o delegado da Polícia Federal Marcos Reátegui poderá disputar o segundo turno com Clécio ou Furlan.
Macapá foi palco, nesta sexta-feira, 20 de março, do lançamento da Frente Democrática de Direita (FDA), um movimento suprapartidário que surge com a proposta de coordenar estratégias eleitorais e fortalecer a atuação política de partidos alinhados a esse campo ideológico no Amapá.
A iniciativa parte da leitura de que mais de 50% do eleitorado amapaense se identifica com pautas conservadoras e de centro-direita, mas ainda carece de articulação unificada para transformar esse potencial em força eleitoral concreta.

Juíza Joaniza da Silva Leme – Dra. Jô e Marcos Reategui, ao final do evento.
A proposta da frente é clara: apoiar candidaturas viáveis nos próximos pleitos, sem inviabilizar projetos próprios das siglas envolvidas, respeitando a autonomia partidária, mas promovendo convergência estratégica quando necessário.
O ato de lançamento ocorreu no espaço de eventos O Carinhoso, no bairro Santa Rita, e, mesmo sob forte chuva, reuniu expressivo público e diversas lideranças políticas e sociais, demonstrando o interesse crescente na reorganização desse campo político no estado.

Dra. Jô, pré candidata ao senado, Marcos Reategui e Gilberto Laurindo, dirigente do DC (Democracia Cristã) no Amapá.
Um dos pontos de maior destaque foi a presença da deputada federal Silvia Waiãpi, atualmente afastada em razão das regras do sistema eleitoral proporcional. Ex-oficial do Exército e reconhecida liderança amazônica, ela já se posiciona como pré-candidata ao Senado nas eleições de outubro, sendo um dos nomes mais competitivos dentro do segmento.

Silvia Waiãpi, que foi a primeira indígena oficial do exercito brasileiro e deputada Federal, empolgou a todos com seu discurso nacionalista e na defesa da Amazônia.Para a eleição, ela já se apresenta como pré candidata ao senado.
Também chamou atenção a participação da doutora Joaniza da Silva Leme (Dra. Jô), magistrada aposentada após 22 anos de atuação no Tribunal de Justiça do Amapá. Com forte inserção nos movimentos sociais, ela igualmente se apresenta como pré-candidata ao Senado, ampliando o leque de opções dentro do campo democrático de direita.

Membros e dirigente da FDA-Frente Democrática Direita no Amapá, para atuar nas eleições 2026.
Somada à médica Raíssa Furlan, já são três nomes femininos colocados à disposição do eleitorado, o que representa um avanço significativo na presença da mulher em disputas majoritárias no estado, especialmente em uma eleição de grande relevância nacional como a do Senado.
A frente reúne lideranças de partidos como Democracia Cristã (DC), PRD, Agir, Novo e PL, consolidando uma articulação plural dentro do espectro conservador.

Em busca de mais uma marca. Depois de ser a primeira oficial indígena do exército e primeira também como deputada Federal, Silvia Waiãpi, poderá ser também a primeira senadora da República, genuinamente amazônida e indígena.
Outro destaque do evento foi a presença do delegado da Polícia Federal Marcos Reátegui, ex-deputado federal (2015–2019) e ex-procurador de Justiça do Estado. Durante sua atuação parlamentar, destacou-se como coordenador da bancada federal do Amapá em Brasília, sendo responsável pela articulação que viabilizou a implantação do Hospital Universitário da Unifap, entregue à população em 2020.
Com trajetória consolidada no serviço público e na segurança institucional, Reátegui demonstrou preocupação com os rumos da política local, especialmente diante do cenário de polarização e da persistente estagnação socioeconômica do estado.
Segundo ele, o Amapá ainda sofre com gestões que produziram pouco resultado estrutural, mantendo a população entre os piores indicadores de desenvolvimento do país.
Diante desse cenário, seu nome começa a ser ventilado como possível pré-candidato ao Governo do Estado, após incentivo de lideranças, incluindo representantes da bancada evangélica em Brasília. A avaliação é de que há espaço para uma candidatura com perfil técnico, experiência administrativa e discurso de renovação responsável.
Analistas políticos apontam que o cenário eleitoral segue aberto. Com elevado índice de indecisão — estimado em cerca de 50% do eleitorado — e desgaste precoce de candidaturas já colocadas, cresce a percepção de que a disputa pode ganhar novos contornos nos próximos meses.
Denúncias, investigações e fragilidades políticas envolvendo nomes já postos tendem a ampliar esse desgaste, podendo comprometer projetos considerados, até então, competitivos.
Nesse contexto, ganha força a chamada “terceira via”, que pode emergir como alternativa viável em um cenário de dois turnos, especialmente se conseguir dialogar com o eleitorado que hoje se mostra descrente ou indeciso.
Segundo lideranças e especialistas ouvidos, a depender da concretude do discurso de renovação no estado, a frente poderá colocar Marcos Reátegui em uma disputa de segundo turno com um dos dois pré-candidatos já consolidados. Como afirmam: “isso não é achismo, mas sim probabilidade estatística, com base na leitura do cenário atual”.
A Frente Democrática de Direita nasce, portanto, como tentativa de organizar esse espaço político, oferecer opções mais estruturadas ao eleitor e influenciar diretamente o rumo das eleições no Amapá.
Mais do que um movimento eleitoral, seus articuladores defendem que se trata de um projeto de reconstrução política, baseado em princípios de governança, responsabilidade fiscal e compromisso com o desenvolvimento regional.