Especial Eleições 2026 – Surpresa! O AMAPÁ PODERÁ IMPORTAR CANDIDATOS AO SENADO

Na política, como na natureza, há fenômenos curiosos. Um deles é o das aves de arribação — aquelas que aparecem de tempos em tempos, pousam, fazem barulho, tentam se aninhar e, se não der certo, levantam voo para outro território mais promissor. Pois bem: o cenário eleitoral do Amapá começa a indicar que, em 2026, algumas dessas aves podem vir não da Patagônia ou do Canadá, mas diretamente do Pará.

A sucessão amapaense ganhou novos contornos depois de um episódio recente e revelador. Por absoluta falta de confiança em seus próprios quadros, segundo apurado nos bastidores, o grupo político em torno do governador Clécio Luís tentou lançar, quase à revelia, o nome do nega empresário Jaime Nunes ao Senado. Uma candidatura improvisada, colocada na água antes mesmo de o suposto candidato decidir se queria entrar nessa balsa encalhada nos bancos de areia da indecisão e da falta de rumo. O resultado foi previsível: Jaime Nunes recusou prontamente a aventura.

Mas o roteiro não parou aí. Pelo contrário. Outra surpresa pode se materializar a qualquer momento: a chegada de candidatos “estrangeiros”, trazidos de fora para disputar votos em solo tucuju. Deputado federal e, no mínimo, duas candidaturas ao Senado estariam em gestação, patrocinadas por interesses que extrapolam as fronteiras do estado.

Na prática, o movimento é simples de entender. O Pará, por meio de seus grupos mais poderosos, tenta estender sua área de influência política sobre o Amapá. Com um governador Barbalho, um ministro Barbalho e um volume de recursos que não conhece estiagem, a estratégia seria irrigar campanhas locais, ofuscar candidaturas genuinamente amapaenses e utilizar o velho truque do coeficiente eleitoral: coopta-se quem for preciso para puxar votos e garantir a eleição dos “importados”.

O efeito colateral disso tudo pode ser devastador para o campo governista alinhado a Brasília. Candidaturas ligadas ao presidente Lula, como as de Valdez Góes e Randolfe Rodrigues, tendem a sofrer desgaste direto com a pulverização do eleitorado e a entrada de campanhas milionárias, agressivas e altamente profissionalizadas.

Quem acompanha o processo de perto garante: isso não é teoria da conspiração. Uma dessas candidaturas já teria comitê secreto funcionando em Macapá, equipe montada na surdina e até profissionais de marketing recrutados entre os desafetos e desfenestrados do atual governo estadual — gente experiente, ressentida e disposta a trabalhar duro para virar o jogo.

E quem ganha com isso?

Na leitura fria dos analistas mais atentos, os maiores beneficiados — talvez os únicos — seriam Lucas Barreto, na busca da reeleição, e Raíssa Furlan, pré-candidata ao Senado pela primeira vez. Para alguns, a jogada é clara: dividir o eleitorado do campo ligado ao governador Clécio Luís, enfraquecendo seu projeto de continuidade, para abrir caminho a uma reeleição folgada de Lucas Barreto e consolidar Raíssa Furlan, que, curiosamente, lidera pesquisas mesmo sem jamais ter ocupado um cargo público.

Sen. Lucas Barreto, seria beneficiado com a pulverização do eleitorado com a entrada de candidatos “made in Pará”.

O fenômeno revela algo maior: 2026 tende a ser uma eleição de caráter plebiscitário, marcada pelo desejo de mudança, renovação e rearranjos profundos, tanto no plano nacional quanto no tabuleiro local.

A estreante na corrida ao senado Raíssa Furlan, seria outra beneficiária, da divisão no campo dos governistas Randolfe e Waldez.

E há ainda uma última ironia, repetida à boca pequena nos corredores do poder. Dizem as más línguas — aquelas que raramente erram — que não basta ter nome, dinheiro e marketing. Campanha é muito mais do que isso. E, nesse contexto, há quem compare Davi Alcolumbre a um Messi jogando em um time de pernas de pau.

O prestígio de Davi é real, inquestionável e nacional. Mas também é pessoal e intransferível. Se transferência de prestígio fosse automática, Josiel Alcolumbre, irmão do senador, teria sido eleito prefeito de Macapá em 2020 com folga, ou ao menos garantido uma vaga de vereador em 2024. Não foi o caso. O mérito é dele — e só ele Davi sabe usá-lo quando entra em campo.

No mais, como sempre, quem viver verá. As aves já sobrevoam. Resta saber onde — e se — conseguirão pousar e depois voltarem para Belém e Brasília com um navio carregado de votos.
Isso porque, com esse capital terão mais poder de barganha em puxar para outro lado do Jari, maiores fatias do bolo do século, chamado Petrobras.

COMPARTILHE

X
Email
Facebook
Threads
WhatsApp
LinkedIn

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *