JOSIEL SERÁ VICE NA CHAPA DE CLÉCIO PARA A REELEIÇÃO.

Até que enfim, uma boa notícia.

A notícia dada pelo próprio senador Davi Alcolumbre, secretário nacional do União Brasil, trouxe uma outra perspectiva para a encalacrada pré-campanha de Clécio Luís, para o segundo mandato de governador do estado do Amapá.

Por muito tempo, chamamos atenção para o desempenho abaixo do esperado da pré-campanha do governador Clécio Luís à reeleição. Não por falta de qualidades pessoais — ao contrário: individualmente, Clécio segue sendo o melhor nome para continuar governando o Amapá. O problema sempre esteve no entorno. Um time frágil, pouco competitivo, sem tração política e incapaz de empolgar o eleitorado.

Esse cenário começa a mudar com a escolha do jornalista e empresário Josiel Alcolumbre como candidato a vice-governador. Dirigente do Sebrae, suplente de senador e nome com trânsito político e institucional, Josiel entra como um elemento novo, capaz de oxigenar uma campanha até então morna. A chapa ganha um plus, um fator motivacional concreto, e passa a transmitir a ideia de que há, finalmente, uma estratégia mais robusta em curso.


Depois de disputar a prefeitura de Macapá em 2020, a vereança da capital em 2024, Josiel Alcolumbre que é suplente de senador, surge como reforço para tirar a campanha de Clécio das difuldades de identidade e personalidade.

Mais do que o nome em si, pesa o gesto político. A entrada de Josiel sinaliza o envolvimento direto do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que aposta no irmão suplente para fortalecer o projeto de reeleição do governador. Isso confere capilaridade, articulação nacional e peso político à candidatura de Clécio, algo que claramente faltava até aqui.

Não se trata, evidentemente, de desqualificar o atual vice-governador, Antônio Teles, o Telinho.
O rompimento político era visível e irreversível. Telinho viveu, ao longo desses três anos e meio, numa espécie de redoma de comodismo, distante do centro das decisões estratégicas. Não é uma questão de competência pessoal, mas de posicionamento político. Fora da chapa, tende a buscar novo espaço, possivelmente como candidato a deputado federal.

Quem sai claramente desconfortável dessa rearrumação é o senador Randolfe Rodrigues. Apostava em indicar um vice alinhado ao seu campo político e agora se vê sem espaço nessa construção. O efeito colateral é relevante: o presidente Lula não deverá ter um palanque puro-sangue no Amapá. Clécio, que já passou pelo PSOL e pela Rede, hoje abriga-se no União Brasil, sob a liderança de Davi Alcolumbre, numa guinada clara ao centro-direita. Randolfe, agora no PT, não tem força suficiente para impor uma solução de convivência eleitoral que lhe seja favorável, o que complica sobremaneira seu projeto de reeleição.

Nesse tabuleiro, quem respira com mais alívio é Lucas Barreto, que ganha novo fôlego político diante da fragmentação do campo governista e da dificuldade de articulação da esquerda tradicional no estado.

É preciso dizer com franqueza: a entrada de Josiel Alcolumbre não garante a vitória de Clécio Luís. Mas altera o jogo. Introduz a possibilidade real de um segundo turno, algo que até pouco tempo parecia improvável, à luz das pesquisas e do desempenho do pré-candidato à reeleição.

Ao mesmo tempo, cresce o desconforto de grupos políticos que não enxergam espaço para crescer dentro desse novo arranjo. Parte dessas forças começa, discretamente, a migrar para o campo do prefeito de Macapá, Antônio Furlan, que segue liderando as intenções de voto para o governo estadual, ainda que já sinta movimentos de acomodação e redistribuição de núcleos eleitorais.

No quadro geral da disputa, a situação de Waldez Góes é especialmente delicada. Os levantamentos mais recentes indicam baixa viabilidade eleitoral para sua pretensão de concorrer a uma das vagas ao Senado.
O horizonte mais plausível passa a ser uma disputa proporcional — ou, no limite, a condição de espectador, após uma longa trajetória que inclui quatro mandatos como governador e o atual cargo de ministro de Estado. Há quem aposte que o foco da família será outro: a eleição de um filho para deputado estadual ou a indicação da esposa à Câmara Federal.

É nesse ambiente, marcado por rearranjos, especulações e movimentos silenciosos, que a entrada de Josiel Alcolumbre surge como uma boa notícia concreta para a campanha de Clécio Luís. Ela devolve ânimo, amplia a rede de apoios e conecta o projeto local ao poder político nacional encarnado por Davi Alcolumbre.

O solitário professor de geografia, Clécio Luís, segue no páreo. Agora, com mais musculatura política para enfrentar o prefeito da capital e um cenário eleitoral que, embora ainda desfavorável, deixou de ser previsível. A disputa está oficialmente reaberta.

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