O AMAPÁ PODERÁ ELEGER A PRIMEIRA GOVERNADORA DE SUA HISTÓRIA.

Análise | Cenário eleitoral de 2026 no AMAPÁ, em tese, abre possibilidade inédita

Especialistas em política eleitoral avaliam inúmeras possibilidades no atual quadro político do Amapá para as eleições de outubro de 2026. Entre os cenários analisados, um deles chama atenção por seu ineditismo: o Estado poderá eleger, pela primeira vez em sua história, uma governadora.

A conclusão parte da observação do momento político e da intensa polarização que se desenha entre o atual governador e o prefeito de Macapá, Antônio Furlan. As disputas no Amapá, historicamente acirradas, tendem a se intensificar ainda mais diante das incertezas jurídicas que cercam o processo eleitoral.

Atualmente, Furlan aparece na liderança de diversas pesquisas de intenção de voto. Paralelamente, sua esposa, a médica Raíssa Furlan, surge como a principal preferida para uma das vagas ao Senado. Considerada por analistas como a única “ficha limpa” no campo majoritário, Raíssa representa, para parte do eleitorado, o voto feminino, o voto de protesto e o voto da renovação.

No entanto, correligionários do governador avaliam a possibilidade de afastar Antônio Furlan da disputa ao governo, em razão de processos que tramitam na Justiça Eleitoral relacionados à acusação de compra de votos nas eleições de 2020. Caso isso ocorra, especialistas alertam que o efeito político pode ser exatamente o oposto do esperado.

Nesse cenário, Furlan poderia indicar um nome de sua confiança para disputar o governo — entre eles, a própria primeira-dama do município. Se essa for a decisão, o Amapá entraria em um terreno completamente novo: uma candidatura feminina ao governo, com forte apelo simbólico e eleitoral, especialmente junto às mulheres, que representam a maioria do eleitorado no Brasil e também no Estado.

Além disso, o eventual impedimento de Furlan poderia gerar uma onda de indignação no eleitorado, transformando o episódio em combustível político e consolidando votos em torno do nome indicado por ele. Longe de uma vitória por W.O., a exclusão do prefeito da capital poderia provocar uma “virada de chave” no processo eleitoral.

Analistas também apontam que parte da vantagem de Furlan nas pesquisas se deve ao seu comportamento político. Como prefeito de Macapá — cidade que concentra a maior fatia do eleitorado estadual —, ele tem se projetado como uma liderança de alcance estadual. Em contraste, avaliam que o atual governador, ao priorizar agendas em municípios que somam cerca de 20% a 30% do eleitorado, acabou deixando a capital em segundo plano.

Nesse contexto, especialistas afirmam que o slogan governamental “trabalhando pelo Amapá inteiro” não produz o efeito desejado. Para eles, uma estratégia mais eficaz seria priorizar Macapá sem abandonar o interior, já que a capital é decisiva para qualquer vitória eleitoral no Estado.

A consolidação do casal Antônio e Raíssa Furlan como protagonistas do cenário político amapaense também pode gerar reflexos no Senado. Caso Raíssa venha a disputar o governo, abre-se uma possibilidade concreta de fortalecimento da candidatura à reeleição do senador Lucas Barreto (PSD), aliado do grupo, com eventual transferência de votos.

Todos esses cenários, ressaltam os especialistas, ainda são hipóteses. O quadro eleitoral segue aberto e repleto de incógnitas. No entanto, os movimentos de bastidores indicam que a eleição de 2026 no Amapá poderá ser uma das mais imprevisíveis — e possivelmente a mais histórica — da trajetória política do Estado.

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