Corre nos bastidores da política amapaense que Mário Neto, vice do prefeito Antônio Furlan e também afastado do cargo por 60 dias, poderá seguir o mesmo caminho do titular: a renúncia.
A informação ainda não é confirmada oficialmente, mas circula com força entre interlocutores políticos da capital. Segundo essas conversas de bastidores, ao invés de apostar numa batalha jurídica para tentar reverter a decisão que resultou no afastamento, Mário Neto avaliaria deixar o cargo definitivamente.

A decisão teria peso estratégico. Caso permanecesse na função, ele poderia assumir a prefeitura durante os próximos 60 dias caso houvesse reversão judicial da situação de Furlan. Com a renúncia, porém, o cenário muda completamente e a condução do município ficaria integralmente nas mãos do atual presidente da Câmara Municipal, Pedro da Lua, hoje prefeito em exercício.

Nesse contexto, analistas políticos avaliam que a eventual saída de Mário Neto poderia transferir para Pedro da Lua uma responsabilidade administrativa pesada em um curto espaço de tempo. Há quem interprete o movimento como uma forma de deixar nas mãos do atual gestor interino uma espécie de “batata quente”, especialmente diante das dificuldades naturais de conduzir a máquina pública municipal em um período politicamente turbulento.
Nos primeiros dias à frente da prefeitura, Pedro da Lua tem chamado atenção também pelo estilo mais informal de aparições públicas — frequentemente com boné invertido, roupas esportivas e camisas de clubes — o que acabou rendendo comentários irônicos entre observadores da cena política local, que o compararam mais a um influencer digital ou personal trainer do que a um gestor no comando da capital.
Outro ponto levantado por comentaristas é que, caso permaneça à frente da prefeitura nesse período, Pedro da Lua dificilmente conseguiria acessar novos volumes de recursos extraordinários, como as chamadas emendas de transferência especial — popularmente conhecidas como “verbas via Pix” — ou outras indicações parlamentares de última hora, uma vez que o calendário para esse tipo de destinação já teria sido ultrapassado.

Diante disso, alguns analistas especulam que eventual deterioração ou precarização de serviços públicos municipais, hoje avaliados como satisfatórios por parcela significativa da população de Macapá, poderia produzir reflexos políticos mais amplos.
Essa leitura conecta o cenário municipal ao ambiente eleitoral estadual. O ex-prefeito já anunciado como pré-candidato ao governo do Estado nas eleições de outubro observa atentamente os desdobramentos, enquanto o atual governador, Clécio Luís, aparece como possível candidato à reeleição em um cenário que tende a ser altamente competitivo.
Para alguns observadores, uma eventual crise administrativa na capital poderia ser utilizada politicamente como vitrine ou prévia de narrativas eleitorais que deverão dominar a disputa estadual.
Ainda assim, é importante ressaltar: tudo permanece no campo das especulações de bastidores. Nenhuma decisão oficial foi anunciada até o momento por Mário Neto.
O fato é que os corredores da política no Amapá estão em ebulição. Investigações conduzidas por órgãos como Ministério Público, Justiça Federal e Polícia Federal, somadas ao interesse de grandes partidos nacionais nas filiações e alianças locais, transformaram a eleição amapaense em um tabuleiro de atenção nacional.
Quem viver, verá.
No Amapá, definitivamente, a política não é para amadores — e muito menos em ano eleitoral.