O AVIÃOZINHO DO GOVERNADOR NÃO SOBE MAIS…

Para igualar sua ação de enterro do velho Bandeirante aos arroubos hilarios do prefeito da capital, só faltou mesmo o boné com a aba virada pra trás.

Com todo respeito à figura institucional do chefe do Executivo estadual, cabe neste momento fazer algumas considerações pertinentes à atuação do governador Clécio Luís.

É, no mínimo, desproporcional à realidade dos fatos a forma como ocorreu toda essa operação de traslado da antiga aeronave do governo para a sua última morada no parque da casa do governador. Sob o ponto de vista da comunicação pública, o episódio parece ter sido um verdadeiro tiro no pé.
E não seria a primeira vez que o governador aparece envolvido em pautas que geram questionamentos dessa natureza.

Dias atrás, com rádios comunicadores nas mãos, em estilo walkie-talkie, comemorava a estrutura de um heliponto em um hospital que sequer está concluído. O contraste chama atenção: enquanto há cidadãos enfrentando dificuldades para acessar atendimento médico básico, o entusiasmo parece concentrar-se na ficção de helicópteros, luzes, linguagem aviatória, protocolos e toda a parafernália que cerca esse universo.

Depois veio o que muitos enxergam como amadorismo na transferência espetaculosa da aeronave, sem uma razão evidente. Bastaria contratar uma empresa especializada, remover as asas e realizar o transporte de forma técnica, sem comprometer a rotina e o dia de trabalho da capital.
Mas não: se é possível complicar, por que facilitar a vida do povo?

Nessa brincadeira de adultos, aparentemente sem algo mais relevante a ser feito, muito provavelmente Macapá sofreu impactos econômicos decorrentes de um dia de interdição e transtornos urbanos.

Ao final, esse episódio transmite uma percepção preocupante: a da falta de compreensão sobre o que significa governar. Paralelamente a esse espetáculo, outra discussão permanece nos bastidores: em um Amapá que convive com inúmeras dificuldades, surgem notícias na imprensa relacionadas a contratos envolvendo empresas de jatinhos para o transporte de autoridades, inclusive do próprio governador.

Fica também a sensação de que, em uma capital tomada por lixo e buracos, a solução ideal seria sobrevoá-la.
Contudo, não nesse aviãozinho do governador. Afinal, para muitos, ele já parece ultrapassado, transformado em sucata ou peça de museu. Não decola mais.

E essa imagem passa a lembrar, simbolicamente, o próprio voo da atual gestão estadual: uma aeronave que parece imbicar repetidas vezes por conta de ações consideradas desastradas. E, por mais que se tente evitar o movimento de stall — a perda de sustentação antes do desastre —, o piloto Clécio parece não conseguir estabilizar o voo de sua gestão.

Embora seja legítima qualquer tentativa de corrigir rotas e salvar uma viagem turbulenta, surge a pergunta: sabe o comandante onde pretende pousar? Porque a pista, para muitos, parece inexistente; seriam apenas 29%, número considerado insuficiente para garantir um pouso seguro para a eventual recondução dessa tripulação aloprada para mais quatro anos de viagem.

E então fica a pergunta: culpa de quem? Do comandante? Dos conselheiros? Dos copilotos?
Que eles mesmos respondam.

E aí, caro piloto Clécio, se não houver justificativas para tanta derrapagem fora da pista, talvez seja da torre de comando da democracia — o voto popular — que venha, em outubro, o recado solene e definitivo para seus voos cegos.

Na linguagem universal da aviação:

Too late.
Tarde demais.
Comandante seu AVIÃOZINHO político, não sobe mais.
Cambio final…

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