PETRÓLEO DAQUI A OITO ANOS. E ATÉ LÁ, O AMAPAENSE VAI VIVER DO QUÊ?

A euforia com a vitória de Antônio Furlan não pode esconder uma realidade incômoda: o desenvolvimento não acontece por decreto, e o petróleo ainda é uma promessa distante para quem precisa trabalhar e sobreviver hoje.

Magda Chambriard, presidente da Petrobras anunciou que Hub da empresa na exploração do petróleo no Amapá, ficará em Belém, capital do Pará.

Apesar da expectativa criada em torno da exploração de petróleo na Margem Equatorial, não é razoável imaginar que a posse do novo governador, em 5 de janeiro, transforme o Amapá da água para o vinho. Tudo leva tempo. O governo Clécio Luís foi marcado por obras de construção civil, eventos e festas, enquanto a população ouvia promessas sobre os milhares de empregos e as oportunidades que o petróleo traria.

Agora, surge a perspectiva de que a Petrobras e parte importante da estrutura de fornecedores da indústria petrolífera se concentrem em Belém do Pará. A capital paraense dispõe de infraestrutura portuária, aeroporto com conexões nacionais e internacionais e condições logísticas que o Amapá ainda precisa desenvolver.

ExpoFeira: formato de evento que não compensa para os propósitos de atração de grandes empresas e empreendimentos, como é o caso da Petrobras.
Feira comercial não se mistura com festejo popular de shows, barracas de comestíveis, carrinhos de pipoca, algodão-doce e maçã do amor.
Miopia estratégica jogou o hub tecnológico do petróleo para Belém.

E o que sobra para o amapaense? Há quem tema que os empregos mais qualificados e mais bem remunerados fiquem em Belém, enquanto ao trabalhador local restem as vagas de menor remuneração, os serviços operacionais e as atividades mais pesadas. A previsão de 50 mil empregos, diretos e indiretos, precisa ser esclarecida: quantos serão efetivamente criados, onde ficarão e quantos serão destinados aos trabalhadores do Amapá?

O governador eleito, Antônio Furlan, já sinalizou interesse em estruturar uma iniciativa voltada ao setor petrolífero, aproximando Macapá da experiência de Macaé, no Rio de Janeiro. Mas é preciso cautela. Macaé, frequentemente apresentada como exemplo da riqueza do petróleo, também enfrenta problemas sociais, desigualdades e desafios de segurança pública. A riqueza produzida pela indústria não garante, por si só, qualidade de vida para a população. O Amapá não pode importar apenas o modelo econômico sem discutir seus custos e suas contradições.

A pergunta é inevitável: se o petróleo só produzir resultados expressivos daqui a oito anos, de que viverá o amapaense até lá?

Enquanto o futuro é anunciado em discursos, o presente exige agricultura, pecuária, mineração legal, indústria, comércio, turismo, infraestrutura e empregos. Exige uma Agência Amapá de Desenvolvimento comprometida com a realidade estadual, não com a distância dos gabinetes. Quando estruturas estratégicas são conduzidas por pessoas que, segundo as críticas, vivem fora do Estado, cabe perguntar como podem conhecer de perto as necessidades de quem produz, trabalha e empreende aqui.

Presidente Lula veio ao Oiapoque anunciar a confirmação da existência de petróleo na margem equatorial do Amapá. Estima-se que se a exploração vingar, cerca de 50 mil empregos devem ser criados.

Não se trata de defender este ou aquele governo, tampouco de comemorar a derrota de quem saiu ou a vitória de quem chega. Trata-se de cobrar responsabilidade pública. O que foi feito? O que deixou de ser feito? O que será realizado e o que continuará apenas no papel?

Navio sonda NS42 fundeado na área FZA-M-59 região de Oiapoque, trás para o Brasil e especificamente para região amazônica a expectativa de autosuficiencia energética, bem estar e empregos para a população.

O Amapá não pode viver eternamente de promessas, projetos e expectativas. O petróleo pode representar uma oportunidade histórica, mas não alimenta hoje a família que está sem emprego, não resolve o problema de quem vive da produção rural e não substitui uma política consistente de desenvolvimento.

O novo governo precisa responder ao que realmente importa: além do petróleo que talvez venha daqui a oito anos, qual é o plano para fazer o Amapá produzir, gerar renda e oferecer trabalho digno já a partir de 2027?

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