Sou um cidadão democrata de direita e defensor dos valores da família. Mas não confundo fé com política, nem aceito que Deus seja transformado em instrumento de campanha eleitoral.
Deus não precisa de votos. Os candidatos, sim!
Defender nossos princípios não significa nos proclamarmos donos exclusivos da verdade, dividindo a sociedade entre os que consideramos puros e os que julgamos pecadores. Jesus acolhia os cansados, os rejeitados e os que precisavam de orientação. Paulo ensinava a compreender os fracos para conquistá-los.
A fé deve inspirar nossas atitudes, não servir de palanque para nossas ambições. Quando transformamos a religião em disputa eleitoral e confundimos convicção com arrogância, afastamos justamente aqueles que deveríamos conquistar.
A eleição exige prudência, diálogo e capacidade de unir, não de condenar.
Para o Reino dos Céus, buscamos salvar almas. Para vencer uma eleição, precisamos conquistar consciências e votos.

Talvez a derrota de ontem tenha deixado uma lição: não basta acreditar que estamos do lado de Deus. É preciso demonstrar, nas atitudes, que compreendemos seus ensinamentos.
Deus não precisa ser usado para eleger ninguém. Quem precisa conquistar o povo é o candidato! A fé deve iluminar consciências, não funcionar como máquina de fabricar votos.
Enquanto insistirmos em transformar púlpitos em palanques e divergências políticas em guerras santas, continuaremos afastando eleitores em nome de Deus. E a contradição é cruel: acreditaremos estar defendendo a fé, quando, na prática, estaremos tornando-a motivo de rejeição.
Deus não perde eleições. Quem perde são os políticos que, em vez de conquistar o coração do povo, tentam usar o nome de Deus para conquistar seu voto.