Por Dantas Filho
Assessores da principal liderança indígena conservadora da Amazônia admitem a possibilidade de uma futura composição ao Executivo estadual com Marcos Reátegui, ex-deputado federal e delegado da Polícia Federal.
Os rumores que movimentaram os bastidores da política amapaense nos últimos dias parecem ter encontrado uma definição. A ex-deputada federal e oficial da reserva do Exército Brasileiro, Sílvia Waiãpi, não deverá integrar uma eventual chapa encabeçada pelo prefeito de Macapá e pré-candidato ao Governo do Estado, Antônio Furlan.
A especulação ganhou força após interlocutores políticos cogitarem uma composição entre o PL, partido de Sílvia, e o PSD, legenda de Furlan. Entretanto, pessoas próximas à ex-parlamentar afirmam que não existe qualquer negociação avançada nesse sentido.

Atualmente pré-candidata ao Senado Federal, Sílvia ocupa posição estratégica no cenário eleitoral de 2026. Sua candidatura é acompanhada de perto por diferentes grupos políticos, especialmente por disputar um eleitorado semelhante ao da médica Raíssa Furlan, apontada entre as favoritas para a disputa ao Senado.

Nos bastidores, analistas avaliam que uma eventual retirada de Sílvia da corrida senatorial poderia alterar significativamente o cenário da eleição, influenciando diretamente a distribuição de votos entre candidatos do campo conservador e afetando nomes como o senador Lucas Barreto, que buscará a reeleição.
Apesar das especulações, fontes ligadas à liderança indígena afirmam que existe apenas uma circunstância capaz de levá-la a reconsiderar sua candidatura ao Senado: um convite para compor, como candidata a vice-governadora, a chapa do pré-candidato Marcos Reátegui, da Democracia Cristã (DC) e da Frente Democrática do Amapá (FDA).
Segundo essas fontes, o diálogo entre ambos tem sido frequente nos últimos meses. Sílvia tem participado de agendas ao lado de Reátegui e da juíza aposentada Dra. Jô, também apontada como alternativa do grupo para a disputa ao Senado.
Enquanto as principais forças políticas concentram esforços na polarização do debate eleitoral, Marcos Reátegui busca consolidar seu espaço como alternativa ao eleitorado amapaense. Integrantes de sua coordenação afirmam que levantamentos internos apontam crescimento gradual de sua pré-candidatura, especialmente entre setores conservadores, empresariais e formadores de opinião.
Paralelamente às articulações eleitorais, Sílvia Waiãpi mantém intensa agenda nacional voltada às pautas que a projetaram politicamente. Reconhecida por sua atuação em temas ligados à soberania nacional, aos povos indígenas, à ciência, à tecnologia e ao desenvolvimento da Amazônia, ela consolidou seu nome como uma das principais vozes da região.

Recentemente, participou em Brasília de um encontro sobre proteção à infância, combate ao tráfico humano e enfrentamento da exploração de mulheres e crianças. Entre os participantes esteve Tim Ballard, ex-agente norte-americano conhecido internacionalmente por sua atuação contra o tráfico infantil.
Nos próximos dias, Sílvia participará do 1º Fórum da Transamazônica, em Altamira (PA), ao lado do ex-ministro Aldo Rebelo e do cientista político Christian Lohbauer. O evento discutirá temas como desenvolvimento regional, soberania nacional, infraestrutura, meio ambiente e o potencial econômico da Margem Equatorial Brasileira.
A presença de Sílvia Waiãpi em eventos nacionais e internacionais reforça sua posição como uma das principais lideranças indígenas e conservadoras da Amazônia, ampliando sua visibilidade em um momento decisivo para as definições eleitorais de 2026.
Embora seu futuro político imediato ainda seja alvo de especulações, uma conclusão parece evidente: Sílvia Waiãpi continua sendo uma peça relevante no tabuleiro político amapaense e uma voz influente nos debates sobre o futuro da Amazônia e do Brasil.
