Não é de hoje que se percebe o truque das aparências nas obras públicas do Amapá. Exemplos e mais exemplos poderiam ser mencionados, mas o tempo e o espaço não permitem, nem vêm ao caso. Vamos a um rápido recorte que comprova a falta de compromisso da administração pública, em geral, com a obrigação de fazer bem feito e de forma definitiva.

No ano passado, a toque de caixa, foi anunciada, durante a Expofeira, a conclusão e inauguração das obras da Rodovia Josmar Pinto, a chamada Rodovia JP. Cartazes, anúncios em postes, propagandas na televisão e outdoors passaram a enaltecer a rodovia como uma das sete maravilhas do Amapá contemporâneo. A obra chegou a ser chamada de “Tapetão”.
Menos de um ano depois, o tal Tapetão virou passado, e o asfalto do Conjunto Macapaba, também executado em período pré-eleitoral, tornou-se o novo tapetão da vez.
A verdade é que a obra da Rodovia JP está muito distante de ser a sétima ou oitava maravilha das obras públicas. Não demorou sequer um ano para que toda aquela propaganda se desfizesse. O asfalto, que mais parecia esmalte de unha — brilhante por cima, mas sem profundidade — não resistiu nem mesmo às primeiras chuvas.
Para piorar, trata-se de uma obra inconclusa, executada sem saneamento adequado, mal planejada e com o pavimento já tomado por buracos e rachaduras. O resultado é a alegria das lojas de pneus e dos borracheiros ao longo do percurso.
Os reparos são constantes. Falta sinalização, há toneladas de terra acumuladas às margens e até sobre a pista sem qualquer aviso aos motoristas. Bocas de lobo permanecem abertas próximas à via, não existe acostamento adequado e o risco de acidentes é permanente.
Doa a quem doer, isso precisa ser dito: trata-se de uma obra cara, mal executada e longe de atender às expectativas criadas pela propaganda oficial.

À noite, a situação torna-se ainda mais preocupante. Motoristas desatentos encontram intervenções pela metade, sem a sinalização necessária para evitar acidentes. Na Rodovia JP, depois que escurece, parece que o anjo da guarda faz plantão dobrado.
Resta agora esperar que o novo tapetão do Macapaba resista às chuvas e ao desgaste natural, conseguindo ao menos completar um ano de vida útil. Enquanto isso, outras obras e serviços públicos seguem deixando a desejar. Há mais de 90 dias, intervenções paralelas da prefeitura não vêm sendo executadas da forma que a população gostaria, especialmente nos serviços de varrição e recolhimento de lixo.
A eleição e a Expofeira certamente serão palcos para a divulgação desse novo tapetão como vitrine das realizações da atual gestão. Uma gestão que, para muitos observadores, parece mais preocupada em maquiar problemas do que em resolvê-los de forma definitiva — daí a ironia do apelido “Gestão Avon”.
Que venham novos tapetões. Mas que não sejam tapetes voadores da ficção, vendidos como soluções mágicas e desaparecendo ao primeiro sinal de chuva. E que a população saiba, quando chegar a hora, puxar o verdadeiro tapete daqueles que vivem de vender ilusões, como em um conto das Mil e Uma Noites.
Porque esses tapetões mágicos que somem com a primeira chuva, definitivamente, ninguém mais quer.