Por: Dantas Filho
A dor tem nome.
A revolta também.
A jovem professora Thaiza Prata morreu na madrugada do dia 29, após não resistir a uma cirurgia no Hospital de Emergência, em Macapá.
Ela estava grávida de seis meses.
E o bebê também não resistiu.
A CRONOLOGIA DE UMA TRAGÉDIA
O acidente ocorreu por volta das 16 horas do dia 28, em uma rua movimentada, próxima à área central da cidade. A partir daí, o que deveria ser uma corrida contra o tempo para salvar vidas, transformou-se em uma sequência de falhas que hoje revoltam toda a população.
Relatos apontam que:
O socorro demorou a chegar.
A vítima ficou por longo período aguardando atendimento.
O resgate não ocorreu com a rapidez necessária
Segundo informações de familiares, A ambulância só teria chegado cerca de duas horas depois, tempo suficiente para agravar um quadro que exigia urgência absoluta.

O QUE ACONTECEU DEPOIS
Thaiza foi levada ao Hospital de Emergência.
Mas já em estado grave.
Ela apresentava:
fraturas severas (fêmur e antebraço)
hemorragia interna
quadro crítico decorrente do impacto
Durante o atendimento, perdeu o bebê.
E, já na madrugada do dia 29, não resistiu à cirurgia abdominal.
UM PONTO QUE REVOLTA

A principal indignação gira em torno de um fator decisivo: A hemorragia interna
Especialistas são unânimes em um ponto: quadros hemorrágicos graves exigem atendimento imediato.
A pergunta que ecoa nas ruas e nas redes é direta: Se o socorro tivesse sido imediato, o desfecho seria outro?
Para a população, a resposta é dura:
“Ninguém morre de hemorragia quando há atendimento rápido.”

O QUE DIZ A POPULAÇÃO
Basta ler os comentários:
“Duas horas esperando socorro.”
“Levaram outro primeiro.”
“Na propaganda tem ambulância, na prática não tem.”
“Isso é descaso.”
A indignação não é isolada.
É coletiva.
COMOÇÃO GERAL
Família, amigos e conhecidos se manifestam:
“Uma pessoa incrível…”
“Duas vidas perdidas…”
“Coração partido…”
No Amapá, todos se conhecem.
E a morte de Thaiza não é distante — ela é sentida como se fosse dentro de casa.
UM SISTEMA SOB QUESTIONAMENTO
O caso escancara um problema maior:
demora no atendimento
falhas na resposta emergencial
distância entre propaganda e realidade
Enquanto isso:
Quem pode pagar, se salva
Quem depende do sistema público, arrisca a vida
UMA DOR QUE SE REPETE
O pré-candidato ao governo, Marcos Reátegui, relembrou que sua luta pela saúde começou com uma tragédia pessoal:
Sua irmã morreu aos 21 anos por falta de atendimento adequado.
Mais uma morte evitável.
E agora, segundo ele, a história se repete.
REVOLTA E COBRANÇA
A população não quer apenas lamentar.
Quer respostas.
Onde estavam as ambulâncias?
Por que demorou tanto?
Quem vai responder por isso?
E O POVO PERGUNTA
Até quando?
Até a próxima eleição? Vai ficar para depois de novo?
Quantos aditivos ainda serão assinados, quantos contratos serão prorrogados, quantas promessas serão repetidas enquanto a realidade continua a mesma? Até quando a saúde pública do Amapá — seja federal, estadual ou municipal — vai existir mais no discurso do que na prática?
Até quando a vida vai valer menos que a burocracia?
Até quando o cidadão vai depender da sorte para sobreviver?
Até quando mães, filhos e famílias inteiras vão pagar com a própria vida por um sistema que simplesmente não responde?
Porque aqui não se trata mais de falha pontual.
Se trata de um padrão.
De um abandono.
De uma estrutura que, quando mais se precisa, não está lá. E quando isso acontece, não é acidente.
É consequência.
