Por: Portal Bambam News

Sob responsabilidade do Estado, ausência de dados no eSocial desde 2024 gera prejuízo no PIS, risco no INSS/FGTS e empurra servidores para a malha fina gestão de Clécio é cobrada por respostas
O que já era desorganização virou escândalo administrativo com potencial de prejuízo em massa. Mais de 7 mil trabalhadores ligados à UDE (Unidade Descentralizada de Execução da Educação), sob responsabilidade do Governo do Estado do Amapá, estão sendo diretamente afetados por uma sequência de falhas graves que escancaram o nível de descaso com quem sustenta a máquina pública na ponta.
Desde fevereiro de 2024 período marcado por uma “intervenção” que nunca se concretizou de fato o governo simplesmente deixou de alimentar o sistema do eSocial. Resultado? Um apagão de dados oficiais: admissões, demissões, vínculos empregatícios e até registros de acidentes de trabalho ficaram fora do radar federal.
Na prática, o trabalhador paga a conta.
Sem as informações devidamente registradas, milhares de profissionais receberam o abono do PIS de 2024 de forma reduzida em alguns casos, como se tivessem trabalhado apenas poucos meses, mesmo com anos de serviço contínuo. Gente com 5, 8, até mais de 10 anos de atuação sendo tratada como novata no sistema. O que era para ser um salário mínimo virou migalha.
E não para por aí.
Há denúncias ainda mais graves: descontos realizados nos contracheques que não estariam sendo repassados ao INSS e ao FGTS. Se confirmadas, as irregularidades podem configurar apropriação indevida um crime sério, mas que, até agora, parece não incomodar quem deveria fiscalizar.
Enquanto isso, a bola de neve cresce. As multas por omissão de dados já ultrapassam a casa dos milhões, e o impacto começa a respingar também na Receita Federal. Trabalhadores que deveriam estar tranquilos na declaração do Imposto de Renda estão caindo na malha fina por inconsistências geradas por falhas do próprio governo.
Ou seja: o servidor é penalizado duas vezes primeiro no bolso, depois na burocracia.
Nos bastidores, o clima é de revolta. Relatos apontam pressão política, silêncio institucional e um cenário onde ninguém assume responsabilidade. A pergunta ecoa entre os corredores e fora deles: onde estão os órgãos de controle? Quem vai responder por esse prejuízo coletivo?
No discurso, gestão. Na prática, omissão.
E enquanto o sistema falha, quem trabalha segue pagando a conta — com juros, multas e dignidade corroída.