Por: Redação
ENQUANTO UMA CRIANÇA AGUARDA ATENDIMENTO MÉDICO, UMA ESTRUTURA HOSPITALAR DE GRANDE PORTE PERMANECE SEM CUMPRIR PLENAMENTE A FUNÇÃO PARA A QUAL FOI CONSTRUÍDA
Uma criança internada no Hospital HCA, segundo relato divulgado nas redes sociais, aguarda atendimento especializado após apresentar perda de movimentos e de sentidos e permanecer sob suspeita de AVC. A família afirma que exames necessários ainda não teriam sido realizados.

É uma situação que não pode ser tratada como simples rotina hospitalar. Quando uma criança precisa de atendimento e a família denuncia demora na realização de exames, a pergunta é inevitável: quem está acompanhando esse caso e por que o atendimento necessário ainda não foi concluído?
O episódio ganha dimensão ainda maior diante da situação do Hospital Universitário da Universidade Federal do Amapá (HU-Unifap), cuja estrutura foi concebida para ampliar a capacidade de atendimento de saúde no Estado.
Segundo a informação apresentada pelo delegado Marcos, o hospital dispõe de 290 leitos e 60 UTIs, mas permanece sem utilização integral, enquanto pacientes continuam enfrentando dificuldades para conseguir atendimento especializado.
Se uma estrutura dessa dimensão permanece sem funcionar plenamente, a sociedade amapaense tem o direito de saber por quê.
Quem responde pela situação?
Quem explica a demora?
Quem presta contas à população?
Não basta inaugurar prédios, anunciar investimentos ou apresentar números. Hospital público existe para atender pessoas. Leitos existem para receber pacientes. UTIs existem para salvar vidas.
E quando uma criança precisa de atendimento, a discussão deixa de ser política e passa a ser essencialmente humana.

A COBRANÇA É SIMPLES: ONDE ESTÃO AS RESPOSTAS?
O delegado Marcos afirma que, entre 2019 e 2020, coordenou a construção e a entrega daquela que considera a maior obra hospitalar da região amazônica até então. Segundo ele, desde sua entrega, a população jamais recebeu uma explicação satisfatória para a falta de utilização plena da estrutura.
A cobrança, portanto, é objetiva:
Se existe estrutura, por que ela não está funcionando plenamente?
Se existem leitos, por que pacientes continuam esperando?
Se existem UTIs, por que elas não estão disponíveis quando uma família precisa delas?
Não se trata de defender governo ou oposição. Trata-se de exigir que o patrimônio público cumpra sua finalidade.
O AMAPÁ NÃO PODE NORMALIZAR O ANORMAL.
Uma criança esperando atendimento enquanto uma grande estrutura hospitalar permanece subutilizada é uma imagem que deveria incomodar todos os responsáveis pela saúde pública.
A população merece explicações — e, principalmente, soluções.